The Only Exception
Sábado, 26 de Março de 2011

capítulo 3. ♥

mãe: posso ? - perguntou após abrir a porta.

eu: claro, diga.

mãe: quando entro no seu quarto sinto logo agonia, filha. - disse enquanto observava até ao mínimo pormenor o meu antro de perdição, como ela mesmo gostava de o chamar.

eu: eu sinto o mesmo quando entro em casa. - falei para dentro.

mãe: o quê que disse ?

eu: nada mãe, deixe lá o meu quarto e diga o que veio cá fazer.

mãe: eu ainda tenho a esperança de que a menina um dia se torne mais feminina e deixe de andar com rapazes, ainda para mais, de um estatuto diferente do nosso.

eu: se o que a trouxe cá foi isso, pode ir agora, recado recebido.

mãe: não me falte ao respeito, daniela !

eu: e não faltei. diga lá mãe, o quê que a levou a vir tão cedo para casa ?

mãe: a festa de hoje a noite. - sorriu.

eu: já devia ter calculado, mas veio ao meu desastroso quarto, porquê ? - disse com ironia.

mãe: vim ver se a menina já tinha escolhido o que vai levar vestido.

como se alguma vez ela me deixa-se ir a uma festa toda pimpolha, como as que os seus queridos e falsos amigos davam, da maneira que eu quisesse. a minha mãe às vezes conseguia ser tão cómica, que só visto.

eu: ainda não escolhi, estava à sua espera. - ironizei.

mãe: óptimo, porque eu já escolhi o que vai vestir.

eu: que novidade. e eu que não estivesse à espera de tal coisa. - sussurrei.

mãe: diga ?

eu: quero ver o que a mãe escolheu, foi isso que eu disse.

mãe: então venha, daniela. - encaminhou-me até o seu quarto.

o nome 'brenda' era proíbido para a minha mãe, nunca mo chamou e acho mesmo que nunca o irá fazer. segundo ela, eu só tenho este nome porque na altura ela vivia com os meus avós, e foram eles que o escolheram. e claro, que ela jamais se iria atrever a contrariar um desejo deles, mais depressa ela mudaria o seu próprio nome para 'brenda', do que os contrariar. enfim, há malucos para tudo !

...

a festa estava a decorrer na perfeição, isto é: estava a ser uma seca ! só gente riquinha com a mania, nada de novo. basicamente, quase toda a gente que a minha mãe tinha o prazer de conhecer, eram replicas exactas da estupidez ambulante. sentia-me bastante deslocada, principalmente assim vestida.

dudu: qual é a pica de comer este tipo de raparigas ? aposto que tudo habita nelas, menos um cérebro.

eu: o lado positivo é que depois de teres o que quiseres, elas nunca mais vão atrás de ti. pois não terão capacidade de te pedir o número, vão estar mais preocupadas com o cabelo que ficou todo desajeitado. - ri-me.

dudu: aposto que nem uma conversa conseguem ter, quer dizer: uma conversa com um bom tema de conversa, não os saldos ou a cor do verniz que a a amiga com um diminutivo, acabado em 'inha', usava no outro dia. só seguidoras da burrice.

mãe: eduardo ! cuidado com a linguagem.

dudu: ai mãe, o quê que foi ? só disse a verdade.

mãe: mas isso lá é maneira de falar ? pica ? mas o menino é algum médico, ou uma criança disléxica que não sabe pronunciar a palavra 'vacina' ? e comer eduardo ? o menino por acaso é algum canibal para comer pessoas ? sinceramente, em vez de criticar, deveria tentar conhecer.

dudu: eu sempre soube que a mãe tinha problemas com o meu vocabulário, mas nunca pensei que me quisesse castigar dessa forma. a mãe es mesmo a ver o seu filho a querer sair com protótipos ?

eu: deixa de ser dramático, dudu. - ri-me.

mãe: ai que mania a menina tem de chamar isso ao seu irmão, daniela. mas ele é algum cão ? o nome dele é eduardo, repita comigo: eduardo.

eu: desculpe mãe. - revirei os olhos.

mãe: repita lá comigo, daniela: eduardo.

eu: ai mãe, eu sei o nome do meu irmão, sim ?

mãe: então porquê que teima em lhe aplicar esse termo horrível ?

eu: para combinar com a cara dele. - desmanchei-me a rir.

dudu: !

mãe: sinceramente daniela, eu tento, juro que tento, educa-la, mas a menina não facilita nada. custa-lhe assim tanto ser minimamente parecida com as jovens que aqui estão ?

eu: se fosse a si ficava muito contente com isso, imagine a despesa enorme que eu lhe proporcionaria, caso fosse seguidora da moda.

mãe: acredite que era uma despesa que dava gosto pagar.

eu: credo, que a mulher perdeu o juízo. - sussurrei.

mãe: o quê que disse ?

eu: nada, estava a pensar alto.

mãe: a menina tem que perder esse vicio, ainda a confundem com um dos pacientes do seu pai.

eu: não me quer ensinar a respirar, também ? - ironizei.

mãe: bem que precisava.

dudu: por falar no pai, ele não vem ?

mãe: não, o seu pai teve que ficar a trabalhar até mais tarde. segundo ele, apareceu-lhe uma operação em última hora e não a podia recusar.

para variar. as únicas vezes em que estávamos em família era ao pequeno-almoço e nas férias que fazíamos para fora do país, e mesmo assim, às vezes até voltavam mais cedo. Deus no céu, e os seus empregos aqui na terra.

mãe: está ali a mimi, vou ter com ela. até já. - saiu.

dudu: a sério que isto vai durar muito mais tempo ?

eu: e fica feliz por ser a mãe a ir ter com a mulher com o nome de gato, em vez de ser ela a vir ter connosco. já imaginas-te ?

dudu: medooo ! nem digas isso a brincar, aquela mulher é bizarra e a voz dela parece a do rato mickey, versão estrangulada.

eu: matem-me, por favor ! - supliquei.

ele: cuidado com o que pedes. - sussurrou-me ao ouvido.

dei um salto, mania a dele de aparecer de repente. não estava à sua espera, não estava mesmo. como é que alguém como o kevin poderia estar numa festa deste género ?

eu: que susto ! - levei a mão ao peito - o quê que estás aqui a fazer ?

ele: não vês pela roupa ? estou a trabalhar.

eu: és garçon ?

dudu: não maninha, não vês que ele é mágico ? vê-se logo pela roupa e pela bandeja na mão. - ironizou.

olhei-o de lado e tanto ele como o kevin se estavam a rir. era o que mais me faltava, já não ma bastava o dudu, agora tinha o kevin a gozar comigo.

dudu: óh inteligência rara, eu vou ali beber alguma coisa, venho já. - saiu.

eu: estás muito ocupado ?

ele: não, a festa mal começou. mas porquê ?

eu: queria saber se não querias ir dar uma volta. - sorri.

ele: claro, vamos tsunami. - entregou a bandeja a um colega e saiu comigo - não imaginava que frequentasses festas deste tipo.

eu: que cómico, pensei o mesmo quando te vi.

ele: eu trabalho aqui, e duvido que tu também trabalhes aqui, pela forma como estás vestida. - riu-se.

eu: não gozes, ? já me sinto mal o suficiente por ter que andar assim.

ele: não estou a gozar, aliás, até acho que estás mesmo muito bonita.

fiquei corada, o que o fez rir. dei-lhe um estalo no braço, o que o fez rir-se ainda mais alto e com mais vontade, acabando por me contagiar.

eu: preferia estar aqui pela tua razão, do que pela minha.

ele: porquê ?

eu: porque tu estás aqui porque precisas, e no fundo queres. já eu não, nem preciso e muito menos quero.

ele: então porquê que vieste ?

eu: porque a daniela jamais poderia contrariar a mãe, quer dizer, contrariar até podia, só não podia era deixá-la mal à frente das revistas sociais.

ele: a quem ?

eu: a daniela, eu. - ri-me - na minha família, só os meus avós e o meu irmão é que me chamam de brenda, ah e a minha prima.

ele: a tua mãe não gosta desse nome ?

eu: não gosta ? ai que eufemismo. a minha mãe odeia esse nome ! diz que é nome de sopeira. enfim, infelizmente com o dinheiro, vem o preconceito.

ele: hmm, tu como sopeira até ficavas jeitosa - riu-se - cabelo todo mal preso, maquilhagem carregada, aventalzinho e a falar alto. hmm, até que te assentava bem. - riu-se ainda mais.

não pude deixar de me rir com essa ideia, quando me deparei com essa imagem na cabeça, foi o fim. não consegui parar de rir.

eu: no carnaval, já sei. - ri-me.

ele: vês ? até que dou boas ideias. - gabou-se.

eu: ui, óptimas. - ri-me.

deu-me um arrepio de um momento para o outro, ele apercebeu-se e perguntou-me se tinha frio, como nunca fui boa a mentir afirmei que sim.

ele: toma. - colocou o seu blazer sobre os meus ombros, e apertou-os ligeiramente, numa demonstração de protecção.

eu: e tu ?

ele: não tenho frio. - riu-se.

eu: não é isso. isso não faz parte da tua farda ? - fiz aspas com os dedos, quando referi 'farda'.

ele: não te preocupes com isso, tenho mais lá dentro. segundo o meu chefe, é para o caso de haver algum acidente, ou assim. - sorriu - fica com ele, precisas mais que eu.

eu: amanhã entrego-te. - sorri-lhe.

ele: está bem. - sorriu - tenho que ir, está a ficar tarde e aquilo já deve estar a abarrotar.

eu: vai lá. - sorri.

ele aproximou-se do meu rosto e depositou-me um beijo na testa. sorri-lhe e ele devolveu-me o sorriso. senti-me tão protegida com tal acto. acho que os momentos mais marcantes se resumiam a isso mesmo, a pequenos actos. a grandeza nunca me disse nada, acho que a simplicidade a consegue combater com uma facilidade incrível. ele saiu de perto do meu corpo e deslocou-se até ao sitio onde se decorria a festa. o seu cheiro tinha tomado conta daquela zona toda, pelo menos era o que o meu nariz me transmitia. talvez fosse por ter ali o seu casaco, ou por me ter habituado ao seu cheiro. e diga-se passagem era um cheiro doce, assim como ele. sim, acho que o adjectivo que mais se assemelhava a ele era mesmo esse, doce. decidi seguir o mesmo caminho que ele, e dirigir-me até à festa. mal cheguei, a minha mãe veio logo ter comigo.

mãe: onde é que a menina andou ?

eu: fui dar uma volta, nada mais.

mãe: de quem é esse blazer ?

eu: de um amigo meu.

mãe: ai fico tão feliz em saber que começa a dar-se com as pessoas certas. - sorriu - quem é ele ? eu conheço ?

dudu: tire o cavalinho da chuva mãe, que não é nenhum filho de pais ricos. é um empregado. - proferiu enquanto chegava perto de nós.

mãe: o menino por acaso acha que eu tenho cara de quem trabalha num estabulo para tirar cavalos da chuva ? sinceramente eduardo, o menino anda a estudar não sei para quê. a cada dia que passa o menino fica mais analfabeto.

eu: é um ditado popular, mãe. - revirei os olhos.

mãe: eu sei, mas o seu irmão não se pode dar ao prazer de dizer algo tão impróprio como isso, ainda para mais num local como este.

dudu: sim, mãe.

mãe: espere aí, eu ouvi bem ?

eu: o quê ?

mãe: o seu irmão disse mesmo que o seu amigo era um empregado ?

eu: sim - ergui a sobrancelha - o quê que tem ?

mãe: deixe de fazer essa cara, a menina é algum orangotango por acaso ? o quê que tem daniela ?! tem que uma menina como você, não se pode dar com pessoas como esse rapaz.

eu: nem o conhece, e já o julga ? ele é boa pessoa mãe, e eu prefiro mesmo que seja pobre, mas humilde. que rico e um parvalhão.

mãe: ai, o quê que eu faço com vocês os dois ? um é analfabeto, a outra só se interessa por gente de baixo nível.

dudu: eu não sou analfabeto !

eu: claro mãe, é preferível gente com um estatuto social altíssimo, mas que me traia e me troque pela primeira que lhe apareça à frente, como foi o caso do thomas.

dudu: toma na bucha ! esta nem a mãe consegue argumentar. - riu-se.

mãe: eduardo ! - guinchou.

dudu: desculpe. - revirou os olhos.

mãe: quem lhe garante que esse rapaz não está interessado no seu dinheiro ?

eu: eu. eu posso-lhe garantir isso. ele não é desse tipo mãe, mas é que não é mesmo. e mais a mais, sou só sua amiga, não namorada.

mãe: por enquanto.

eu: óh mãe. - revirei os olhos.

mãe: espero bem que esteja enganada, em relação a ambas as coisas, daniela.

dudu: não se preocupe mãe, ele não tem pinta de chulo.

mãe: primeiro: ele por acaso é algum quadro para ter pintas ? segundo: como é que o menino sabe ?

dudu: porque ele pareceu-me fixe.

mãe: pareceu-lhe peixe ?

dudu: não mãe - revirou os olhos e eu ri-me - quer dizer que ele me pareceu boa pessoa.

eu: e como a joyce perguntou: porquê que sempre que falamos no kevin, o assunto acaba em peixe ? - ri-me.

mãe: o quê ?

eu: esqueça mãe, esqueça.

mãe: é o melhor mesmo. tenha cuidado com quem anda daniela.

eu: pode deixar mãe, que eu tenho.

mãe: e o menino também.

dudu: eu ? porquê ?

mãe: porque eu sei como o menino é com as raparigas.

dudu: pode deixar mãe, quanto a isso não tem mesmo que se preocupar.

mãe: espero bem que sim. - sorriu - bem, vou ter com a carol. - saiu.

dudu: esta tem o diminutivo de caracol, que giro. - riu-se.

eu: és muito tone. - ri-me.

dudu: tem cuidado com o aquele rapaz.

eu: porquê ? - perguntei surpreendida.

dudu: é notável o vosso clima, e eu não quero que passes pelo mesmo que passas-te com o thomas. e não me venhas com a conversa de serem só amigos, até o podem ser, mas não por muito tempo.

eu: deixa de dizer parvoíces.

dudu: serão mesmo parvoíces, brenda ? - questionou-me e saiu, indo rumo a um empregado buscar mais uma bebida.

 

continua ...

 

publicado por p;αndяαde. ॐ às 23:56
| comentar.
36 pintinhos piu:
De coutinho. a 27 de Março de 2011 às 00:41

está lindo.
estão cada vez mais próximos :b
posta rápido.
De Rita a 27 de Março de 2011 às 00:52
Bem a mãe da brenda, pera da daniela, é uma coisa incrivel, chama burro ao filho mas ela é que é bem burra xD
Epah cada vez gosto mais do Kevin, ele é tão querido e engraçado :p
Carol diminutivo de caracol ahahaha xD
gosto mesmo bue desta história
e a música do agir é linda
beijinhos
De » Alexandra C. a 27 de Março de 2011 às 03:03
Ahah vou começar a seguir a tua fic querida *-*
Juro, acho que nunca me ri tanto numa fic xD
Orangotango hahaha, morri mesmo xD


Perfeito *-*


(L)
De ▲ máei a 27 de Março de 2011 às 11:57
aii, adorei como sempre <3
«mãe: então porquê que teima em lhe aplicar esse termo horrível?
eu:para combinar com a cara dele»


ahahah *morri*


De Alexandra (: ♥ a 27 de Março de 2011 às 14:00
gostei mesmo muito do teu blog (:
De psycho ; a 27 de Março de 2011 às 14:31
quero mucho mucho mais xP
De Alexandra (: ♥ a 27 de Março de 2011 às 15:08
estou ansiosa para ver o teu próximo post . 
identifico-me muito no teu blog , é um dos melhores blogs que já vi .
De Alexandra (: ♥ a 27 de Março de 2011 às 15:32
siim (...)
De Alexandra (: ♥ a 27 de Março de 2011 às 15:57
de nada, só estou a dar a minha opnião . 
e acredita que estou a ser sincera . 
De diana a 27 de Março de 2011 às 16:32
-adoro a nova historia 
- esta linda e inspiradora
De p;αndяαde. ॐ a 27 de Março de 2011 às 21:23
óh, muito obrigado mesmo querida. :)
De SUSANA VENTURA a 27 de Março de 2011 às 18:47
pahahahah xD

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